sábado, 12 de março de 2016

As minhas experiências de Erasmus, reflexões e personalidade!

Como já todos sabem, sou um estudante de Enologia na fantástica Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Sim digo fantástica, pois o meu orgulho por esta instituição é imensurável. Além de ser a única com a licenciatura em Enologia (infelizmente), está repleta de ótimos profissionais, desde a área da Viticultura até PVPIB (Proteção da Vinha em Produção Integrada e Biológica).
Não é isto que me traz de volta ao meu pequeno blog que data do primeiro ano como caloiro. Apesar de nunca ter sido muito ligado à praxe penso que me posso intitular como tal.
Pois bem, algures no meio de meu segundo ano, juntamente com a minha namorada (Sofia Cambey), que também frequenta o mesmo curso (dizem que os oposto se atraem mas no meu caso prefiro ter tudo em comum do que passar o dia em discordâncias), decidimos que estudar na UTAD era “pequeno” para os dois, partindo em busca do sítio perfeito para fazer Erasmus, na nossa área claro. Sublinho esta frase pois, infelizmente, o Erasmus hoje em dia é visto como uma forma de “fazer” cadeiras. Chega mesmo a ser chocante quando vês colegas de Ciências da Natureza e depois no Erasmus fazem Ciências Sociais e obtém, como por milagre, a equivalência em Portugal. Peço desculpa por este pequeno aparte, mas não podia deixar passar em branco o meu desagrado, como muitas vezes vão ver aqui, com coisas que me parecem absurdas ou estou em profundo desacordo!
Mais uma vez estou a fugir ao assunto, mas já começo a deixar pequenas migalhas que dão a conhecer a minha personalidade: distraído, chegando a vaguear mentalmente mesmo quando estou a dialogar e, sem dúvida, muito impulsivo. Tudo me parece exequível quando penso pela primeira vez (nunca penso duas vezes sobre o mesmo assunto).
Continuando… Após termos pensado em Bordeaux (Bordéus) como o sítio perfeito para nossa aventura - e teria sido, não fosse o facto de a faculdade não ter protocolo de “troca” de alunos. E como tenho pena de não ter acontecido, especialmente após, no último verão, ter feito uma viagem de carro pela Europa e o meu último destino ter sido Bordeaux. Viríamos a ficar pela nossa segunda opção, La bella Italia!
Desde já digo que pode ter sido a escolha perfeita, não pela cidade que estou (Pisa) mas sim pelo País num todo. Á semelhança do Blog do Casal Mistério, página pela qual a minha namorada passa horas a babar-se, e pela qual também me identifico. Eu adoro cozinhar e ela comer. Eu cozinho ela arruma, acaba por ser a simbiose perfeita.
Sendo assim, destaco já o facto de não me encaixar no típico aluno de Erasmus, onde todos se queixam de comerem mal e ser uma cidade/país caro. Pois bem, concordo que para um aluno Português é muito complicado fazer face às despesas (aproveito para dizer que os Portugueses são os que menos apoios têm para Erasmus, somos sempre os mesmos pequeninos!), mas agora dizer que se come mal em Itália? Nunca!
Se em Portugal podemos passar duas horas à mesa a comer e beber, aqui podemos passar uma tarde inteira sem nunca dar pelo tempo passar. Aliás, posso dizer que, após um verdadeiro almoço italiano, só te levantas para ir fazer o jantar! Fantástico não? Começa a ficar fácil de entender o porquê de ter sido escolha perfeita, a fantástica gastronomia aliada aos melhores vinhos.
Não sei se são os franceses que têm mais variedades de queijo mas, Mamma Mia! os italianos não devem ficar muito longe. Se eu tivesse que eleger um único queijo para comer para o resto da minha vida, neste momento seria o Parmegiano Reggiano e para minha namorada S.Cambey o Pecorino. Sim temos algumas discordâncias, mas apenas na comida!
Já tinha referido que estou na Città di Pisa, a estudar na Universidade da mesma cidade, no departamento de Agronomia e Ciências Agrárias, ou seja, igual à UTAD. Os Winelovers já chegaram à conclusão que estou na região da Toscana e que bela região! Itália, como em Portugal, quando andamos alguns quilómetros, tudo muda. Desde os pratos típicos, até à forma de viver o dia-a-dia, não fosse Itália num tempo não muito distante constituída por várias regiões independentes e não como um país unido. De referir que nem todas se davam lá muito bem. Roma penso que foi das últimas a ser integrada (juntamente com Trentino e Trieste, que vieram mais tarde com o tratado de paz após a Primeira Guerra Mundial). Sendo controlada pelo Papa, a 20 de Setembro de 1870, após uma rápida ação militar, Roma foi anexada e só em 1929 foi concedido ao Papa a soberania da Cidade do Vaticano. Um pouco de história nunca fez mal a ninguém.
Voltando à Toscana, são inúmeros os pratos que poderia citar que são típicos desta zona. Na categoria do vinho é reino do Chianti (lê-se Quianti), feito maioritariamente com a casta Sangiovese, que sinceramente não é uma casta que esteja muito “inamorato”. Mas é uma variedade que dá uma enorme elegância aos vinhos desta zona.
Já visitei algumas cidades e regiões que não só a Toscana e já fiz uma viagem para outro país (Hungria, Budapeste). Infelizmente por razões económicas e de tempo não me foi possível fazer visitas ligadas ao mundo dos vinhos, mas deu para provar alguns néctares. A S.Cambey diz ter bebido o melhor branco destes últimos dois anos, mesmo depois de termos provado o Reserva Especial dos Carvalhais, no Adegga Wine Market o ano passado no Porto. O mesmo aconteceu também com a gastronomia local (dizer que ficamos completamente rendidos a toda a comida que provamos em Budapeste). Também vou por algumas fotos no final, onde aconselho a por uma babete!
Voltando às origens (Itália), o que mais marcou nas minhas visitas vínicas, - que, digo já, até agora foram poucas e espero que este semestre sejam de fazer inveja a Baccus - foi a minha passagem pelo Castello di Brolio (fotos no final). Mas que beleza que deve ser viver neste Castelo. Acho que todos nós já tivemos o sonho de viver num, apesar de ser algo que nos ocorre maioritariamente quando ainda somos crianças. Existe mesmo pessoas que ainda o habitam e com toda a classe como nos primeiros anos de existência. Atenção pois estou a falar da companhia no sector do vinho mais antiga de Itália e a segunda mais antiga do mundo e, se não me engano, foi aqui criado o famoso Chianti em 1872 quando Baron Bettino Ricasoli após 30 anos de pesquisa escreveu uma carta para a Universidade de Pisa (na qual estudo agora) com a “formula” de sucesso após esses 30 anos de pesquisa  Há que ter algum orgulho por estudar nesta Universidade não?!
Desde 1993 que Francesco Ricasoli 32º Barone di Brolio “é o que comanda as tropas” (como o meu avô o diz). Os vinhos provados não foram muitos porque a nossa visita foi muito virada para a Viticultura, uma área muito importante na vida de Enólogo. Comparando com a Viticultura do Douro, uma das mais desafiantes e melhores do mundo, que é de Montanha o que a torna muito complicada mas que criou um Douro desenhado - e que belo desenho! - a Viticultura nesta zona é muito diferente. Típica chianti com grande densidade de plantas e de vale com grande declive em algumas situações.
Lembram-se daquela situação da Itália e da França nos queijos? Na viticultura eles não ficam atrás de nós e até penso que nós temos muita coisa a aprender com a viticultura deles, que sem dúvida é muito avançada, organizada e com grande importância no curso de Enologia na Universidade de Pisa. Itália, ao contrário de Portugal, é parecida com a França. Têm regras quanto à percentagem das castas usadas para a produção de vinho e estas mudam consoante a região. Assim, além do solo, o que torna os vinhos muito diferentes na mesma região tem mesmo a ver com o tipo de Viticultura adotada, vendo diferenças significativas no tipo de sistemas de condução. Aqui começamos já a entrar pelo conceito de Terroir, mas para já  ficarei por aqui.
Na categoria de vinhos, e para finalizar, dou destaque ao CasalFerro 100% Merlot (sim pertenço ao grupo de pessoas que é completamente apaixonado por Merlot e são poucos os que sabem fazer verdadeiros néctares desta variedade de uva) e ao Castello di Brolio Chianti Classico DOCG Gran Selezione 80% Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon e 10% Merlot. Sim já sei, eu disse que não era um apaixonado pelo Sangiovese mas a exceção confirma a regra não?
Conclusão? Não, isto não tem conclusão pois apenas foi um pequeno desabafo do que foi o meu primeiro semestre em Itália e ficarei por cá pelo menos mais seis meses e com possibilidade de vir a estagiar cá em Setembro-Outubro.
Sou o Diogo Schartt e tenho 24 anos, não sou o típico aluno de Erasmus e com prazer. Não deixo de vez em quando em ir às Erasmus Party, mas como não têm comida e vinho, não passo lá muito tempo! Se estiverem por cá e quiserem partilhar experiências gastronómicas e vínicas têm um casal de futuros Enólogos com as malas feitas.
Estas foram as minhas experiências, reflexões e pouco da minha maneira de ser.

Boas Provas e Boas Viagens 

Os vinhos,com pão, ricota caseira e ervas. 
As famosas sopas(sopa de frango e Goulash)
Escolha D.S.( cordeiro com batata e cebolas pérola)
Escolha S.C.(frango com paprikash e noodle caseiro)
Desta vez tive direito a escolher sobremessa
(Rigo Jancsi)











Vinha Nova
Vinha 1
Os Vinhos 


Adega 









1 comentário:

  1. Sou amigo do autor e desejo-lhe a maior das felicidades tanto em âmbito profissional como de lazer. Bem vindo de volta à blogosfera!

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